Cefaléia Tensional

A Cefaléia do Tipo Tensional ( CTT ) é também uma cefaléia primária, como a enxaqueca, tem crises de dor de cabeça mais fracas, podem ser mais curtas na sua duração (30 minutos) e podem também ser mais longas (7 dias).

As características da cefaléia do tipo tensional são praticamente opostas a enxaqueca, a dor de cabeça ao invés de pulsátil é uma dor de cabeça em peso, em aperto. Costuma ser uma dor de cabeça bilateral, os dois lados da cabeça doem. A dor de cabeça é fraca ou moderada, enquanto na enxaqueca, a dor é mais forte.

FISIOPATOLOGIA:

A Fisiopatologia da cefaléia do tipo tensional é desconhecida. A distinção entre a Cefaléia Tensional e a migrânea ( enxaqueca) pode ser, portanto, difícil, especialmente em crianças. Existem duas teorias relacionando a Cefaléia Tensional  e a migrânea. O modelo do continuum sugere que a migrânea e a Cefaléia Tensional são cefaléias de um mesmo espectro fisiopatológico, estando a CTT em um extremo desse espectro, com cefaléia de pequena intensidade e sem sintomas acompanhantes, e a migrânea no outro extremo, com cefaléia de moderada a forte intensidade e vários sintomas acompanhantes, muitas vezes com aura. Contrapondo-se a esse modelo encontra-se a teoria do espectro, para a qual as duas cefaléias seriam distintas.A importância dos fatores genéticos tem sido examinada numa série de estudos.
Um estudo em gêmeos sugere que fatores genéticos desempenhem uma função nos casos de cefaléia do tipo tensional episódica (CTTE) freqüente, enquanto que a CTTE infreqüente seria primariamente  determinada por fatores ambientais. Familiares em primeiro grau de pacientes com cefaléia do tipo tensional crônica (CTTC) têm um risco três vezes maior de CTTC do que a população em geral. A hereditariedade de CTTC é provavelmente multifatorial. O sexo dos pacientes não influenciou o risco de CTTC entre os familiares em primeiro grau. O menor efeito genético observado na CTT do que na migrânea sugere que esses duas cefaléias sejam distintas e não parte de um
continuum de cefaléias.

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS:
As CTTs são tidas como cefaléias recorrentes de pequena intensidade. Elas são subdivididas em infreqüente (<12 dias por ano), freqüente (1-14 dias por mês) e crônica (> 15 dias por mês). 
A criança com CTT não preocupa os pais como a criança com migrânea. A criança pode até nem mencionar a cefaléia, dada a pequena intensidade da dor. A cefaléia pode estar presente por apenas um curto período e geralmente não interfere nas atividades da criança. 
A cefaléia pode ocorrer a qualquer momento do dia, ela pode  estar presente ao despertar pela manhã, mas não a ponto de provoca-lo. A  CTT é geralmente descrita como de intensidade leve a moderada, localização bilateral e de caráter em pressão ou aperto. A intensidade pode aumentar  ao longo do dia. A dor é freqüentemente localizada nas regiões frontal  e temporal, menos comumente na região occipital ou no
pescoço. Uma minoria dos pacientes referem fotofobia ou fonofobia. Geralmente a CTT não impede a criança de estudar ou brincar. 
A CTT não é acompanhada de náusea ou vômito. Náusea de pequena intensidade pode ocorrer na CTTC. Diferente da migrânea, não observa-se outros sintomas como dor abdominal precedendo o aparecimento da CTT. 
As características clínicas da CTT são  semelhantes em crianças, adolescentes e adultos. Um estudo transversal com amostra clínica evidenciou que com a idade, houve um aumento da freqüência e duração da cefaléia do tipo tensional, com modificações no local da dor e na freqüência de náusea. Mais importante ainda, a ingestão de analgésico aumentou significativamente da infância para a vida adulta. 
Como na migrânea, o exame neurológico na criança ou adolescente com CTT é normal.

Abaixo encontram-se os critérios diagnósticos para cefaléia do tipo tensional:

1. Critérios diagnósticos para a cefaléia do tipo tensional episódica infreqüente (ICHD-II). 

A.  Pelo menos dez crises ocorrendo em < 1 dia por mês em média (< 12 dias por ano) e preenchendo os critérios de B a D.
B.  Cefaléia durando de 30 minutos a sete dias.
C.  A cefaléia tem pelo menos duas das seguintes características:
  1. Localização bilateral.
  2. Caráter em pressão/aperto (não pulsátil).
  3. Intensidade fraca ou moderada.
  4. Não é agravada por atividade física rotineira como caminhar ou subir escadas.
D.   Ambos os seguintes:
  1. Ausência de náusea ou vômito (anorexia pode ocorrer).
  2. Fotofobia ou fonofobia  (apenas uma delas pode estar presente).
E.   Não atribuída a outro transtorno.

2. Critérios diagnósticos para a cefaléia do tipo tensional episódica freqüente (ICHD-II).

A. Pelo menos dez crises que ocorrem em > 1 dia, porém < 15 dias por mês durando pelo menos três meses (> 12 dias e < 180 dias por ano) preenchendo os critérios de B a D.
B. Cefaléia durando de 30 minutos a sete dias.
C. A cefaléia tem pelo menos duas das seguintes características:
  1. Localização bilateral.
  2. Caráter em pressão/aperto (não pulsátil).
  3. Intensidade fraca ou moderada.
  4. Não é agravada por atividade física rotineira como caminhar ou subir escadas.
D.   Ambos os seguintes:
  1. Ausência de náusea ou vômito (anorexia pode ocorrer).
  2. Fotofobia ou fonofobia  (apenas uma delas pode estar presente).
E.   Não atribuída a outro transtorno 

3. Critérios diagnósticos para a cefaléia do tipo tensional crônica (ICHD-II).

A. Cefaléia que ocorre em > 15 dias por mês, em media, por > três meses (> 180 dias por ano), e preenchendo os critérios de B a D.
B. A cefaléia dura horas ou pode ser contínua.
C. A cefaléia tem pelo menos duas das seguintes características:
  1. Localização bilateral.
  2. Caráter em pressão/aperto (não-pulsátil).
  3. Intensidade fraca ou moderada.
  4. Não é agravada por atividade física rotineira como caminhar ou subir escadas.
D. Ambos os seguintes:
  1. Não mais do que um dos seguintes sintomas: fotofobia, fonofobia ou náusea leve.
  2. Nem náusea moderada ou intensa, nem vômitos.
E. Não atribuída a outro transtorno.

 

A dor de cabeça do tipo tensional geralmente se caracteriza da seguinte forma:

  • Em peso ou pressão ou aperto, muitas vezes simulando uma faixa ou capacete apertado em volta da cabeça;
  • Habitualmente localizadas na fronte e/ou na nuca e topo da cabeça;
  • De intensidade leve a moderada ou moderada, não impedindo as atividades rotineiras diárias;
  • Não raro essa dor melhora com atividade física ou relaxamento;
  • Normalmente não há sintomas associados e alguns pacientes podem se queixar de intolerância, durante a dor, a ruídos mais intensos (fonofobia);
  • A dor pode durar de horas a até sete dias;
  • Freqüência pode variar muito, com pacientes apresentando dor menos de uma vez por mês, enquanto outros, mais de 15 dias em cada 30 (forma crônica).

 

 

Cefaléia do Tipo Tensional Episódica

Cefaléia do Tipo Tensional Crônica

Incidência na População

87%

3%

Frequência

Variável

Mais de 15 dias por mês por mais de 6 meses

 

Características

Dor em peso ou pressão - nunca pulsátil

 

Dor em peso ou pressão - nunca pulsátil

 

Localização

bilateral, frontal, nuca e topo da cabeça

 

bilateral, frontal, nuca e topo da cabeça

 

Intensidade

Leve a moderada

Leve a moderada

Sintomas Associados

Pode ocorrer fobia a ruídos.

 

Pode ocorrer não mais do que um dos seguintes sintomas: náuseas, fobia à luz ou ruídos.

 

Duração da dor

De 30 minutos a 7 dias

De 30 minutos a 7 dias

 

A cefaléia tensional, oficialmente chamada cefaléia do tipo tensional, é dita como a dor de cabeça mais comum que existe. O problema é que ninguém sabe, exatamente, o que esse termo, tensional, quer dizer. Será tensão psicológica ou tensão muscular? Será tensão causando dor de cabeça ou sendo causado por dor de cabeça? E como explicar os sintomas, que também ocorrem nos portadores de enxaqueca?

A dor da cefaléia tensional pode durar mais dias que a dor da enxaqueca, porém existem enxaquecas que também duram mais dias. A dor da cefaléia tensional costuma ser na cabeça inteira, como se fosse uma faixa apertando a cabeça. Mas a enxaqueca também pode doer assim. A dor da cefaléia tensional costuma ser leve a moderada, mas a dor da enxaqueca também pode ser leve a moderada. A cefaléia tensional pode ser desencadeada pelo stress, assim como a enxaqueca!! No tratamento da cefaléia tensional, não existem remédios que não funcionem também no tratamento da enxaqueca. Técnicas de relaxamento e todos os outros recursos não farmacológicos também funcionam igualmente nos dois problemas.

Na assim chamada cefaléia tensional, a dor costuma ser leve a moderada, normalmente fica presente por um longo tempo. A sensação é a de um torniquete apertando a cabeça. A dor, muitas vezes, localiza-se mais intensamente no pescoço, encontra-se associada a contrações musculares do pescoço e ombros, costuma ter início numa idade um pouco mais avançada que a enxaqueca (depois da adolescência, já por volta dos 25 anos). A dor não costuma vir com enjôo e/ou vômitos, aversão à claridade e/ou barulho, aura e outras premonições. As regras de tratamento são as mesmas que as da enxaqueca.

A cefaleia tensional tem como causa um excesso de contratura muscular na região cervical, e da toda a musculatura pericraniana, os musculos que estão junto ao cranio, cabeça.

Assim como na enxaqueca, a tensão, ansiedade, nervosismo, irritabilidade, stress (estresse) são causadores, deflagram as crises de cefaleia tensional.

O tratamento da cefaleia tensional tem principalmente abordagem preventiva, isto é, evitar que a dor de cabeça apareça. O uso de remédios preventivos é a base do tratamento, mas medidas não medicamentosas como relaxamento, fisioterapia, psicoterapia (principalmente da linha cognitiva comportamental), yoga, exercícios físicos, acupuntura são usados.

TRATAMENTO:
Lidar com a CTT e outras cefaléias (primárias) em crianças e adolescentes requer perícia. Além de ser otimista e passar esse sentimento para os pais, o médico precisa ser muito paciente, caso contrário, a criança pode não aprender como lidar com sua cefaléia.  
Em crianças com CTT, não foram realizados estudos de tratamento de larga escala.
A ênfase de tratamento deve ser em medidas não-farmacológicas, tais como distração (em CTT de baixa intensidade), treinamento de relaxamento,  biofeedback e terapia cognitivo-comportamental (para CTT freqüente ou crônica). Os antiinflamatórios não-esteroidais podem ser úteis no tratamento agudo de CTTE, se  a dor é moderada ou intensa, porém, devem ser usados com restrição na CTTC. 
Uma meta-análise recente mostrou que  existem evidências muito boas de que tratamentos psicológicos, principalmente
relaxamento, biofeedback e terapia cognitivo-comportamental, são eficientes em reduzir a intensidade e  freqüência de cefaléias recorrentes em crianças e  adolescentes. No entanto, estudos melhor desenhados são necessários. Em pacientes que não respondem à terapia não farmacológica, a amitriptilina pode ser utilizada. 
Crianças e adolescentes com CTTC devem ser cuidadosamente avaliadas para transtornos comórbidos como depressão, ansiedade, distúrbios de aprendizagem e estressores psicosociais. É necessária uma educação do paciente e dos pais levando em conta o risco de abuso de medicação analgésica.

Procure sempre um médico especialista para avaliar e diagnosticar o seu tipo de dor de cabeça.