Enxaqueca na mulher

Uma série de evidências ligam as cefaléias, particularmente a enxaqueca, e os hormônios sexuais femininos, estrógeno e progesterona. 

A enxaqueca na mulher é influenciada por diversas mudanças hormonais ao longo da vida, tais como, a menarca, menstruação, uso de contraceptivos orais, gravidez, puerpério, menopausa e terapia de reposição hormonal. A enxaqueca é mais freqüente nas mulheres (18%) do que em homens (6%),  numa razão de 3:1, porém, em crianças na fase pré-puberal, esta diferença não existe. As crises de enxaqueca estão ligadas ao período menstrual em 60% das vezes, e ocorrem exclusivamente neste período em 14% dos casos.

Enxaquecas pré-menstruais podem também fazer parte da síndrome pré-menstrual. A enxaqueca pode piorar na gravidez, durante o primeiro trimestre, e, embora a maioria das gestantes fiquem livres de dor de cabeça nos segundo e terceiro trimestres, 25% das mulheres não apresentam qualquer mudança nas crises durante a gravidez.

A enxaqueca menstrual tipicamente melhora durante a gravidez, potencialmente por causa dos  altos níveis mantidos de estrógeno. A terapia de reposição hormonal pode exacerbar as crises de enxaqueca, assim como o uso de contraceptivos orais.

A prevalência da enxaqueca diminui com a idade, mas na menopausa pode ocorrer uma piora.    

A função ovariana inicia-se na menarca e cessa na menopausa. O ciclo menstrual, embora seja um continuum, inicia no primeiro dia da menstruação e termina no último dia, antes da próxima menstruação. A duração do ciclo menstrual é geralmente de 28 dias, com uma variação normal de 25 a 32 dias. A maior variabilidade ocorre perto da menarca (primeiros ciclos menstruais na adolescência) e menopausa.

Para o ciclo menstrual ocorrer de maneira adequada, é preciso estarem intactos o funcionamento do hipotálamo (secreção de GnRH), da hipófise (secreção de LH e FSH), dos ovários (estrógeno e progesterona) e o útero. Sob o controle da norepinefrina, dopamina, serotonina, opióides, e do CRH, o hipotálamo secreta GnRH, estimulando a secreção de LH e FSH pela hipófise, que por sua vez estimula a secreção de estrógeno e progesterona pelos ovários. Estrógeno exerce um feedback negativo na hipófise, diminuindo a secreção de FSH, porém, enquanto os níveis de progestorona aumentam, no meio do ciclo, ocorre o pico de LH, promovendo a ovulação. O corpo lúteo continua secretando progesterona por mais duas semanas, quando caem seus níveis, ocorrendo então a menstruação.