Enxaqueca

Enjôo, sensibilidade à luz e, acima de tudo, uma dor de cabeça incapacitante. Tradicionalmente, esses sintomas são chamados de enxaqueca. No entanto, o diagnóstico correto da enxaqueca depende de muitas outras informações, que vão do histórico do paciente ao exame neurológico.

Para saber se você é vítima desse mal que atinge centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro, responda a este pequeno questionário:

1) As crises de dor de cabeça estão comprometendo a realização de suas atividades normais?

2) Sua dor é latejante e tende a ser pior em um dos lados da cabeça?

3) Você toma analgésicos para a dor de cabeça duas ou mais vezes por semana?

4) Os medicamentos que você está tomando não estão aliviando sua dor?

Se você respondeu positivamente a pelo menos três dessas três questões, é hora de procurar o médico.

A consulta médica é fundamental para o diagnóstico e o tratamento da enxaqueca, principalmente porque os sintomas desse mal se confundem com vários outros. Assim, para facilitar o processo, siga algumas dicas preparadas pela Sociedade Brasileira de Cefaléia.

Prepare a consulta:
- Mantenha um relatório diário com informações sobre a sua dor.

- Estabeleça uma conversa honesta e aberta com o médico.

- Informe detalhadamente qual o tipo de medicação que você usa durante as crises.

- Fale bastante sobre seus hábitos, pois muitos deles podem interferir nas crises sem que você desconfie.

Mesmo que você já esteja em tratamento contra a enxaqueca, também existem algumas situações em que deverá procurar o médico imediatamente:

- Se o comportamento padrão de sua dor sofrer alguma mudança.

- Se o seu organismo estiver reagindo mal aos medicamentos.

- Se você engravidar durante o tratamento.

As causas da enxaqueca são muitas, mas sabe-se que algumas mudanças simples no estilo de vida contribuem para o controle das crises, e, de quebra, são extremamente benéficas para a sua saúde.

Para prevenir-se das crises de enxaqueca, siga estas dicas:

- Estabeleça hábitos regulares para as refeições e sono.

- Faça algumas mudanças na dieta, diminuindo ou até mesmo eliminando certos alimentos que deflagram a dor (como queijos e chocolates).

- Evite a ingestão de bebidas fermentadas, como o vinho tinto.

- Não se exponha demasiadamente ao sol e à claridade.

- Evite se exercitar em dias quentes.

- Evite o uso excessivo de perfume.

- Não permaneça em locais recém-pintados ou onde estejam utilizando solventes químicos.

- Comece uma dieta rica em magnésio (que se encontra em abundância em alimentos verdes frescos, frutos do mar e nozes) e em um aminoácido chamado triptofano (que pode ser encontrado em verduras frescas, no feijão e em cereais integrais).

Se você sofre de enxaqueca, sabe que ela chega sem avisar. Por isso, esteja sempre preparado!

Em caso de crise:

- Tenha sua medicação sempre à mão.

- Em caso de dor intensa, procure um local fresco e escuro para se recostar, mas não se deite.

- Coloque gelo sobre as áreas dolorosas.

- Beba muita água e coma moderadamente.

- Tome o medicamento para crise recomendado pelo seu médico, mas nunca mais de duas vezes por semana.

- Principalmente, descanse.

Lembre-se: Toda a dor de cabeça tem uma causa, mas só um médico pode avaliá-a corretamente.

A enxaqueca ou migrânea é uma dor de cabeça, em geral latejante e unilateral associada em náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, barulho e odores, alterações do sono e depressão.As crises de dor são recorrentes e tendem a ser menos intensas à medida que o paciente fica mais velho.

As Enxaquecas são classificadas de acordo com os sintomas que produzem.

As mais comuns são a Enxaqueca sem Aura e a Enxaqueca com Aura. Tipos mais raros são a Enxaqueca basilar. Enxaqueca Oftalmoplégica, Aura visual sem Enxaqueca e Estado Enxaquecoso. 

A Enxaqueca aflige 24 milhões de pessoas nos Estados unidos da América, podendo ocorrer em qualquer idade, mas geralmente se iniciando nas idades entre 10 e 20 anos e reduzindo a frequencia após os 50. Algumas pessoas sofrem várias crises por mês enquanto outras tem poucas dores de cabeça na sua vida. A incidência na população feminina pode atingir 18 a 20%. Cerca de 75% dos sofredores de Enxaqueca são mulheres.

 A causa da Enxaqueca é desconhecida. A condição aparentemente resulta de uma série de reações disfuncionais do sistema nervoso central causadas por mudanças no corpo ou no ambiente. Há geralmente uma história familiar, sugerindo que a Enxaqueca tenha um fator hereditário. O paciente mostra uma sensibilidade exagerada a fatores desencadeamtes que produzem inflamação nos vasos sanguineos e nervos ao redor do cérebro, causando a dor. Os principais fatores desencadeantes da Enxaqueca são:
• ácool (principalmente vinho tinto).
• Mudanças ambientais e climáticas.
• Alimentos contendo cafeína (café, coca-cola), feniletilamina (chocolate), tiramina (queijos, vinhos), glutamato monossódico (comida chinesa) e nitratos (comida enlatada, hot-dog).
• Luminosidade.
• Alterações hormonais da mulher (menstruação por exemplo).
• Jejum.
• Perda ou excesso de sono.
• Excesso de medicações analgésicas.
• Perfumes e odores fortes.
• Estresse e ansiedade.
 
A dor da Enxaqueca é geralmente descrita como latejante ou pulsátil e é intensificada pelas atividades físicas rotineiras, tosse, esforço e abaixar a cabeça. 

A Cefaléia costuma ser intensa interferindo com as atividades do dia a dia e pode despertar a pessoa a noite. A crise é debilitante e os pacientes ficam prostrados e esgotados mesmo após a cefaléia ter melhorado. A dor atinge a sua maior intensidade em 1 a 2 horas e gradualmente melhora, mas pode persistir por 24 horas ou mais. A Enxaqueca costuma se acompanhar de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e sensibilidade aos sons (fonofobia). Mãos, pés podem ficar frios e suados e os odores não usuais ficam intoleráveis.

A Enxaqueca com aura é caracterizada por um fenômeno neurológico (aura) que é percebido por 10 a 30 minutos antes do início da dor de cabeça. Na maioria das vezes é descrita como alterações da visão, como luzes brilhantes ao redor dos objetos ou na periferia do campo visual (chamados escotomas cintilantes), linhas em "zig-zag", imagens onduladas ou pontos escuros. Outros sofrem perda visual temporária. Auras não visuais incluem fraqueza motora, alterações de fala, tonturas, vertigens e formigamentos ou dormência (parestesias) da face, língua e extremidades.

A Enxaqueca sem aura é mais comum e pode ser uni ou bilateral. Cansaço ou alterações do humor podem ser sentidos um dia antes do início da cefaléia.

Na Enxaqueca basilar aparecem sintomas de disfunção no tronco cerebral como vertigens, visão dupla, fala enrolada e incoordenação motora. É mais observada em pacientes jovens.

Aura enxaquecosa sem cefaléia caracteriza-se pela presença das alterações aurais sem o aparecimento de dor de cabeça. Geralmente ocorres em pacientes mais idosos que tiveram Enxaqueca com aura no passado.

A Enxaqueca oftalmoplégica começa com dor no olho e vômitos. A medida que a dor piora aparecem queda da pálpebra (ptose), e paralisia dos movimentos oculares; isso pode persistir por dias ou semanas.

O estado Enxaquecoso é uma complicação em que cefaléia intensa persiste sem melhora por 72 horas ou mais. Pode requerer hospitalização.

O diagnóstico da Enxaqueca é baseado na história clínica, análise dos sintomas e exames físico e neurológico. Exames subsidiários como tomografia computadorizada e Ressonânsea magnética do crânio, Eletroencefalograma e Liquor cefalorraquiano só necessitarão ser executados apenas se houver fortes suspeitas de cefaléia secundária.

O médico deverá avaliar cada caso de Enxaqueca para decidir o tratamento apropriado. Os objetivos são reduzir o número e a intensidade das crises (tratamento profilático) e aliviar e encurtar a duração da dor (tratamento abortivo). 

O tratamento profilático deve ser prescrito para pacientes que tenham dores frequentes (três ou mais crises por mês) ou que não respondam ao tratamento abortivo. Deve ser receitado um tipo de medicamento, mas pode ser necessária uma combinação de drogas. Muitos desses medicamentos tem efeitos adversos e quando a cefaléia for controlada devem ser descontinuados, mas geralmente o tempo mínimo de tratamento profilático é de seis meses. As seguintes drogas podem ser utilizadas:  
• Betabloqueadores (propranolol, atenolol, metroprolol): são medicações de excelência; produzem queda da frequencia cardíacae da pressão arterial; não devem ser prescritos para pessoas com asma e devem ser usados com cautela em diabéticos. Os efeitos advérsos incluem hipotensão, indisposição gastrintestinal, bradicardia, disfunção sexual; não devem ser usados na lactação.

• Anticonvulsivantes (topiramato, ácido valproico, gabapentina) podem ser usados para prevenir a Enxaqueca. Os efeitos adversos são náusea, desconforto gastrintestinal, sedação, toxidade hepática e tremores.

• Bloqueadores de canais de cálcio (verapamil, flunarizina, amlodipina) inibem a dilatação arterial e bloqueiam a liberação de serotonina. O verapamil não deve ser usado em pacientes com insuficiência cardíaca ou bloqueio cardíaco. Os efeitos colaterais incluem constipação, rubor, hipotensão, "rash" cutâneo e nauseas.

• Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) bloqueiam a reabsorção da serotonina e são muito eficientes, embora o efeito possa demorar 2 a 3 semanas para ser excelente. Os efeitos adversos são prisão de ventre, boca seca, hipotensão, taquicardia, retenção urinária, disfunção sexual e ganho de peso.

• Antidepressivos inibidores seletivos da captação da serotonina (como fluoxetina, paroxetina, sertralina) são melhor tolerados que os antidepressivos tricíclicos mas não são tão eficientes. Seus efeitos colaterais são náusea, insônia, disfunção sexual e perda de apetite.

• Metisergida é uma droga muito eficaz mas só deve ser utilizada em quadros rebeldes, porque seu uso prolongado, por mais de 6 meses, pode causar fibrose retroperitional e de outras serosas. Além disso, não deve ser usada em pacientes como doença coronariana.

• Outras drogas profilátricas utilizadas são: pizotifeno, riboflavina (Vitamina B2) piridoxina (vitamina B6), magnésio, tanacetum parthenium, clinidina e ciproheptadina.
Em relação ao tratamento abortivo as seguintes medidas devem ser tomadas:

Dores de cabeça leves podem ser aliviadas apenas com repouso ou sono, em um quarto escuro e silencioso; aplicação de gelo na cabeça ou compressão da artéria temporal do lado da dor também podem provocar alívio temporário.

Muitas Enxaquecas podem melhoras apenas com uso de analgésicos comuns como aspirina, ibuprofeno, dipirona, paracetamol. Devem ser tomados logo após o início da crise, sendo mais eficazes em cefaléias infrequentes. em cefaléias muito frequentes seu uso comum (mais de 4 doses por semana) deve ser evitado (com as drogas profiláticas), pois podem induzir o aparecimento de cefaléias rebote e de cefaléia crõnica diária. Os efeitos adversos da aspirina e do ibuprofeno são principalmente azia, dor epigástrica e sangramento digestivo.

Triptanos são as drogas mais modernas e bem toleradas para alívio da dor da Enxaqueca. Temos o sumatriptano, zolmitriptano, rizatriptano e naratriptano todos disponíveis por via oral. o sumatriptano tem uma apresentação injetável subcutânea e intranasal; o zolmitriptano e o rizatriptano tem apresentações para dissolver na língua. Os efeitos adversos dos triptanos incluem tontura, snolência, rubor, náusea e formigamentos.

Ergotamínicos podem ser usados isoladamente ou associados e analgésicos e à cafeína. Os efeitos colaterais são náuseas, tontura e hipertensão arterial; não devem ser prescritos em pacientes com doença cardíaca, hepática, renal e vascular periférica. 

Além das medicações profiláticas a Enxaqueca pode ser previnida evitando os desencadeantes e com manuseio do estresse. Os pacientes devem indentificar os seus fatores desencadeantes para que possam evita-los ou manipula-los. Os principais desencadeantes da Enxaqueca são a atividade física, fatores emocionais (estresse, ansiedade, depressão), fatores ambientais (mudança de tempo, altitude), alimentos (chocolate p/ ex.) e bebidas (ácool, vinho, café), analgésicos em abuso, fadiga e redução ou excesso de sono. 

A acupuntura e tratamentos fisioterápicos, como massagens e TENS, podem ser de valida, principalmente quando há componente tensional associado.